quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Aniversário

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..."
Poema de Álvaro de Campos extraordinariamente declamado por Germana Tânger no último programa Câmara Clara

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Desencontro

"Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,

outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.

E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,

de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra."

Jorge de Sena

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

E já se passou algum tempo desde a última vez que aqui vim. Durante estes dias houve novidades, a nossa pipoca fez um aninho de vida no dia 27 e dia 3 nasceu mais um bebé da biblioteca :) O projecto "Semeando Leituras" continua no bom caminho a semear leituras pelas escolas e jardins de infância de Moura.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Semana da Comunidade Educativa


Participem porque a educação não se "faz" só na escola, não é só competência de professores e educadores, é essencialmente um papel da família e de toda a comunidade.

sábado, 16 de janeiro de 2010

"Há, na tradição judaica, uma história que é mais ou menos assim: cansado de ver as pessoas da sua cidade tristes e abatidas, um homem instala-se no meio da praça com um banquinho e começa a contar histórias. No início, as pessoas ainda paravam para o ouvir, antes de a pressa as desviar para os seus milhentos afazeres. Mas o homem continuava. Todos os dias sentava-se no banquinho, no meio da praça, para contar e contar. Um dia, enquanto narrava uma fantástica fábula para uma plateia inexistente, um miudo puxou-o pela manga e perguntou-lhe:
- Não vê que não há ninguém a ouvi-lo? Porque insiste em contar essas histórias?
O homem respondeu:
- Meu filho, antes eu contava histórias para mudar o mundo. Hoje, conto histórias para que o mundo não me mude a mim."
Este excerto vem hoje na revista Única num artigo muito interessante sobre contadores de histórias, espero que tenham oportunidade de o ler. Gostei especialmente deste parágrafo, encontro-lhe uma certa poesia e um modo de ver o mundo muito peculiar

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A "carrinha amarela dos livros", foi este nome que ouvi chamar à carrinha que utilizamos no projecto "Semeando Leituras". De facto não deixa de ser verdade, é uma velha carrinha das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian com uma roupagem mais alegre. Começámos na 3ª feira passada a "semear leituras" e iremos continuar até ao final do ano lectivo nas escolas do 1º ciclo de Moura.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

E cá estamos nós em mais um ano, em 2010, uma década já passada deste Século XXI.
A todos desejo um Feliz Ano, que consigam realizar todos os vossos sonhos e acima de tudo que sejam felizes!