sábado, 26 de novembro de 2011

Gratidão?!


Ainda estou de queixo caído com esta frase que li num artigo do Público de hoje, não basta as universidades cobrarem o que cobram de propinas, taxas, emolumentos e afins...
Gratidão?! e os que se formam e não têm emprego vão receber "gratidão" de quem?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011



No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

Parabéns José Saramago!

Ai Portugal, Portugal


E volta a euforia do costume, Portugal ganhou, Cristiano marcou, o euro está à nossa espera, só notícias boas para animar o tuga que só se lamenta da crise e da vidinha. Amanhã são só bons títulos nos jornais, só se fala de Portugal e sem ser por causa da Troika, amanhã nada disso interessa, depois voltamos à realidade.
Num outro acordar as capas dos jornais voltam a ter a palavra de ordem, crise, crise e mais crise, medidas, planos e tudo e mais alguma coisa que nos tire ainda mais do bolso aquilo que já não temos.
"Fado, Fátima e Futebol" cada vez mais perto de ser o lema deste cantinho à beira mar plantado, (sempre achei esta expressão "parvinha" mas hoje apeteceu-me :)


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Rita


 E é mesmo menina, uma menina linda que nasceu hoje e se chama Rita! É linda, mais uma boneca que se junta à família, que nos faz crescer e recordar tudo o que já passámos juntos, os momentos de alegria e os de tristeza, as partidas que a vida nos prega, mas acima de tudo saber que a amizade está sempre lá.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

No País dos Sacanas


Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país?
Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.



Jorge Cândido de Sena (Lisboa, 2 de Novembro de 1919 — Santa Barbara, Califórnia, 4 de Junho de 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A velha aos pés do Poeta


"A meio da Praça, o Poeta e os seus pares estão coroados de pombas e, em baixo, uma velha, pequenina, magrinha, de leque de seda abrto, saia negra a roçar pelo empedrado, chapéu roxo com florinhas amarelas, refila, contra um grupo que a persegue, palavrões e ameaças:
- Corja! Gente de gosto estragado! Hão-de ver o que os espera!
Solta uma breve, brusca gargalhada. Um esgar rangente no rosto sumido, triste até às lágrimas.
- Homens, isto? Pois se vocês agora só conseguem arranjar dessas que andam para aí de pernas todas à mostra! Homens!...
Meneia-se, a abanar o leque, com ademanes de grande dama. Profundo despeito esganiça-lhe a voz:
- Sabem lá o que é uma senhora!...
O grupo cresce, cerca-a de risos assobiados, num gozo alvar de surriada
grotesca.
Em redor há uma implícita conivência. É como se fôssemos todos, a Praça inteira, o Chiado, a cidade a gargalhar atrás da velha, que se volta, arremessa o punho mirrado para fora da manga de rendas esfarrapadas:
- Cobardes! O que vocês todos precisavam era...
Um electrico passa entre a velha e o vagabundo e abafa o resto da frase. De que será que nós todos precisamos?
Acossada, a velha recua. Vindos de um lado e de outro, homens e mulheres aumentam o grupo que a envolve. Estão à vontade, afoitos. Nenhum corre perigo naquilo. Gesticulam, atiram-lhe palavras como se atirassem calhaus, batem patadas no empedrado, incitam-na. E gargalham, desbarrigados. Espectáculo grátis, quem o perde? É aproveitar, encher a pança - vá de rir, vá de encher de gozo esta vida vazia, miserável, bronca.
Corrida, a velha amedronta-se. Na face escura, devastada, os olhos miudinhos, negros, refulgem de aflição:
- Mas que mal, digam lá, que mal lhes fiz eu?
O grupo continua a crescer, quase enche agora a Praça. E os que chegam, perguntam: "Que foi? Que fez ela? É louca? Alguém lhe bateu? Roubou alguma coisa?"
Um policia aproxima-se. Todos desandam. Mas com ar composto. Um ar de quem ia passando e olhou por olhar. Todos vagarosos, fingidamente alheados, sinceramente aborrecidos por tão depressa ter acabado o espectáculo.
A velha parece ainda apontá-los, apontar-nos, apontar a cidade: "Cobardes". E chora de cabeça tombada. Ridícula, nos farrapos coloridos, sujos, chora apagada e triste, aos pés da estátua do Poeta."

Manuel da Fonseca

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Casa dos Segredos



Parece que anda para aí uma "febre" com  a "Casa dos Segredos", só falam nisso, só "postam" sobre isso no Facebook...espero que lhes passe depressa. Da minha parte só tenho a dizer: ainda não vi, não quero ver, não vi o anterior e não gosto desses programas/concursos ou lá o que lhe queiram chamar! É assim tão difícil de perceber?!
Se há quem não goste mas depois vê, sabe-lhe os nomes, lê em jornais e revistas o que se vai passando é lá com eles, mas POR FAVOR, não falem mais no assunto comigo!